O tribunal distrital de Vasileostrovsky, em São Petersburgo, ordenou que Alexandra Skochilenko deve ficar em prisão preventiva até 31 de maio por divulgar “notícias falsas” sobre as forças russas.

O tribunal de São Petersburgo anunciou em comunicado que a artista russa é acusada de “colocar pedaços de papel no lugar das etiquetas de preço com informações deliberadamente falsas sobre as forças armadas russas” num supermercado a 31 de março.





A mesma fonte acrescenta que a ação de Skochilenko foi motivada por um “ódio político pela Rússia”, o que significa que a artista de São Petersburgo pode enfrentar uma pena grave se for considerada culpada, variando entre uma multa de três milhões de rublos a cinco a dez anos de prisão.


A artista terá substituído etiquetas com preços por mensagens como “a violência nunca é a solução” e imagens de símbolos de paz e da bandeira ucraniana. Uma das etiquetas teria escrito: “O exército russo bombardeou um teatro em Mariupol, onde cerca de 400 pessoas estavam abrigadas”. Numa outra das alegadas etiquetas lia-se: “As tropas russas impediram 14 camiões com ajuda humanitária de entrar na região de Kherson. Os civis precisam de comida e de água”.



A juíza Elena Leonova afirmou que Skochilenko é “acusada de cometer um ato grave contra a segurança pública”, acrescentando que tais atos podem “criar tensões na sociedade” e levar a mais “atividades subversivas”.




Segundo uma nova lei aprovada recentemente pelo Kremlin, qualquer meio de comunicação ou pessoa acusada de divulgar “informações falsas” sobre o exército russo é condenada a uma pena de prisão que varia entre dez a 15 anos. A lei já levou ao encerramento de vários meios de comunicação na Rússia, outros foram obrigados a suspender atividade depois de serem acusados de espalhar desinformação.

Skochilenko, que na sua conta de Instagram se descreve como uma artista independente, já tinha sido multada em dez mil rublos por participar num protesto a 24 de fevereiro, dia em que as tropas russas lançaram a ofensiva na Ucrânia.

“Eu não apoio a guerra na Ucrânia. Eu saí à rua hoje para dizê-lo, em alto e bom som”, escreveu na altura Skochilenko no Instagram.





Segundo advogados dos direitos humanos, Skochilenko é uma das 23 pessoas que foram acusadas de difundir “informações falsas”.



Na terça-feira, Andrei Makedonov, um médico de 59 anos, foi detido por um protesto semelhante num supermercado em São Petersburgo. Também na terça-feira, outra residente de São Petersburgo, Tatiana Popova, foi multada em 30.000 rublos por pendurar brinquedos com slogans anti-guerra num supermercado.





Source link

By Author

Leave a Reply

Your email address will not be published.