“Angola vive ano de reflexão política”



A cantautora, guitarrista e escritora angolana Aline Frazão regressou ao Festival Músicas de Mundo de Sines para apresentar o novo álbum “Uma Música Angolana”.

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A artista já tinha passado por Sines em 2013 e 2015 e apresentou “uma paleta afetiva de ritmos que vão desde a massemba angolana ao batuku cabo-verdiano, passando pelo maracatu e o afoxé do Brasil”.


“Uma Música Angolana” é um álbum que celebra os ritmos africanos não só de Angola, mas de outras latitudes, inclusivamente ritmos africanos de fora do continente africano.


“É um álbum de festa, de celebração, não só pelo contexto em que surgiu, após uma pandemia que marca toda a produção musical e a vida de todas as pessoas, mas também importante nesta fase conturbada que estamos a viver politicamente”, afirma Aline Frazão em entrevista à Lusa.


“Desfrutar da música é importante. A vida não é só o trabalho. E a música tem um pouco o papel de convocar as emoções. E isso é uma espécie de terapia conjunta de pessoas completamente diferentes, que não se conhecem de lado nenhum. Politicamente diferentes, mas que estão a ver a mesma música. Acho que isso é bonito e importante”, disse.


A cantautora olhou para a programação do FMM e gostou de ver “tantas mulheres incríveis, tantas mulheres talentosas de todas as partes do mundo, todas as cores de pele”.


Aline Frazão considera fundamental que o FMM tenha “uma maior paridade não só de género, mas também representatividade de artistas da comunidade LGBT”.


O trabalho da cantautora dialoga “sempre muito com Luanda” e as questões políticas acabam por estar “sempre a permear” o seu dia-a-dia. Num ano eleitoral, Aline continua a achar “que a música é importante e que a música sempre foi importante”.


A música angolana “sempre foi importante e sempre teve uma vertente política importante, uma vertente de leitura dos tempos, até o próprio kuduro está diretamente ligado com traumas da guerra civil”, revela.


“Aquela agressividade está ligada aos anos 90 e à guerra civil em Angola, que foi muito violenta”, acrescenta.


Em ano de reflexão política, os angolanos “poderão ir às urnas votar, ouvir os partidos, pensar a importância de se mudarem as coisas” em Angola, disse Frazão.


“Acho que este ano e com o passar dos anos, há uma coisa que é imbatível, que são as novas gerações e o passar do tempo, e as novas gerações têm uma história, uma vivência e uma memória muito diferente das outras gerações”, afirma.


“São gerações que já não viveram a guerra civil, por exemplo, ou que já não têm uma conexão com o romantismo dos primeiros anos de Angola enquanto país. Essas mudanças todas vão-se refletir, muito provavelmente, nos resultados”, remata Aline Frazão.


O Festival Músicas do Mundo (FMM) regressou sexta-feira ao concelho de Sines, onde vai decorrer até 30 de julho, depois de uma pausa de dois anos, com uma programação que inclui 47 concertos de artistas de quatro continentes.


Ava Rocha, Bia Ferreira, Letrux, Marina Sena (Brasil), Ana Tijoux (Chile), Queen Ifrica (Jamaica), Omara Portuondo (Cuba), Dominique Fils-Aimé (Quebeque, Canadá), Dulce Pontes e Sara Correia (Portugal) são algumas das artistas que se encontram no cartaz do 22.º FMM, adiado para este ano devido à pandemia da covid-19.


Seun Kuti & Egypt 80, Etuk Ubong (Nigéria), James BKS (Camarões), Re:Imaginar Monte Cara (Cabo Verde), Club Makumba, Fado Bicha, Paulo Bragança, Pedro Mafama (Portugal), Albert Pla e Angélica Salvi (Espanha) estão também entre os artistas confirmados este ano.


À semelhança de edições anteriores, a programação reparte-se entre a aldeia de Porto Covo, entre sexta-feira e domingo, e a cidade de Sines, de 25 a 30 de julho.


Além dos concertos, a programação do festival inclui uma série de iniciativas paralelas, como exposições, `workshops`, visitas guiadas, animação de rua, uma feira do livro e do disco e debates.


O programa completo do 22.º FMM pode ser consultado no `site` oficial do festival, em www.fmmsines.pt.



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