De acordo com a informação publicada no `site` da Ópera Nacional Inglesa (ENO, na sigla em inglês), esta peça operática composta pelo dinamarquês Poul Ruders, em 1998, e com libreto escrito por Paul Bentley vai ser conduzida pela “especialista em música contemporânea Joana Carneiro” e terá apresentações até dia 14 de abril.


“Esta nova e poderosa produção” está a cargo de Annilese Miskimmon, diretora artística da ENO, conhecida pelo seu empenho em obras modernas, que se juntará assim à “aclamada maestrina portuguesa Joana Carneiro, muito procurada pela sua especialização em obras contemporâneas”, destaca por sua vez o `site` broadwayworld.


Em entrevista sobre esta produção, baseada no “espantoso livro” da escritora canadiana Margaret Atwood, Annilese Miskimmon afirmou que este é um “clássico moderno” e enalteceu o facto de ser uma obra no feminino, adaptada por dois homens.


“É muito raro um homem compositor em ópera escrever uma peça baseada numa fonte de uma autora do sexo feminino e escrever algo que é tão baseado na experiência feminina”, afirmou a diretora, considerando que “a ópera, como forma de arte, nos últimos anos tem negligenciado o poder da experiência feminina”.


“E é tão dramático e importante para a audiência partilhar esta experiência. Espero que inspire novas gerações de criadores de ópera a procurar experiências masculinas e femininas”, acrescentou Annilese Miskimmon.


O elenco inclui a atriz Camille Cottin, que se junta às meio-sopranos Kate Lindsey, como Offred, e Susan Bickley, como sua mãe, à soprano Emma Bell, como tia, e ao tenor John Findon, como Luke.


A ópera, como o livro, mergulha na República de Gilead, onde as mulheres foram completamente despojadas dos seus direitos e liberdades, para contar a história de uma serva que recebeu o nome de Offred e é uma das mulheres férteis forçadas a conceber filhos para a elite estéril.


Trata-se de um romance distópico, em que as mulheres são obrigadas a obedecer a regras rígidas e de subjugação, que já inspirou uma série televisiva homónima de sucesso.


“Este trabalho estimulante de pensamento amplia as questões do controlo do Estado e a fragilidade da liberdade, uma vez que Offred luta com o terror diário da sua realidade”, e na sua adaptação para ópera, influenciada “pelo minimalismo, por cânticos medievais e música gospel, a brutalidade dissonante de Gilead é visceralmente retratada na própria música da ópera”, destaca a ENO.


Joana Carneiro deixou de ser maestrina titular da Orquestra Sinfónica Portuguesa (OSP) no final do ano passado, altura em que terminou o seu mandato, depois de oito anos à frente da OSP, tendo sido sucessivamente reconduzida, até comunicar o seu desejo de cessar funções.


A maestrina, de 45 anos, desempenhava outras funções fora do Opart, nomeadamente as de diretora artística do Estágio Gulbenkian para Orquestra. Ao longo da carreira, trabalhou com múltiplas orquestras a nível internacional.


Em 2010, dirigiu o concerto “Rei Édipo/Sinfonia dos Salmos”, com encenação de Peter Sellars, sobre as duas obras de Igor Stravinsky, que recebeu um prémio Helpmann.


Em 2017, dirigiu a Orquestra Filarmónica Real de Estocolmo, no concerto da cerimónia de entrega dos prémios Nobel na capital sueca.


Entre 2009 e 2018, foi diretora musical da Orquestra Sinfónica de Berkeley, nos Estados Unidos.




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