Governo cabo-verdiano revê em baixa crescimento e não descarta Orçamento Retificativo



“Estamos a falar de uma alteração substancial do quadro macro fiscal e em cima das consequências da covid-19 temos aqui novos efeitos e novas consequências para gerir. Com efeitos desastrosos para o quadro fiscal e para o quadro orçamental”, afirmou o vice-primeiro-ministro, Olavo Correia, numa reunião, hoje, na Praia, com o corpo diplomático acreditado em Cabo Verde, sobre os impactos no arquipélago da guerra na Ucrânia.


De acordo com o governante, que é também ministro das Finanças, após um crescimento equivalente a 7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021 – e de uma recessão histórica de 14,8% em 2020, devido à pandemia de covid-19 -, a estimativa do Governo para este ano apontava para um crescimento económico de até 6,5% do PIB, mas que é agora revisto para 4%, “no melhor dos cenários”.


A inflação, cuja previsão anterior apontava para um cenário de aumento dos preços em 2022 num intervalo de 2,2% a 3,2%, deverá agora variar de 6,0% a 7,0%. Já o défice estimado das contas públicas, que o Governo colocou nos 7,5% do PIB em 2022, após 8,0% em 2021, passa agora para 9,5% e a procura turística deverá aumentar 78% face a 2021 — segundo ano de forte quebra devido às restrições internacionais para conter a pandemia de covid-19 -, significativamente abaixo do crescimento de 143% inicialmente previsto.


Questionado pela Lusa à margem desta reunião, com algumas dezenas de diplomatas, o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, não descartou, face ao novo quadro macroeconómico e à necessidade de acomodar despesas para mitigar a escalada de preços, a possibilidade de avançar com um Orçamento Retificativo este ano, o que seria o terceiro consecutivo, após os de 2020 e 2021, então devido às consequências da pandemia de covid-19.


“Vamos trabalhar com estes cenários. O nosso sistema orçamental dá sempre possibilidades de nós conseguirmos recursos externos, podermos acomodar o Orçamento. Mas está sobre a mesa, iremos analisar e depois ver se há ou não e em que momento poderá ser elaborado um Orçamento Retificativo”, disse Ulisses Correia e Silva.


O Governo cabo-verdiano apelou hoje à mobilização de um apoio orçamental de cerca de 40 milhões de euros, por parte dos parceiros internacionais, apenas para fazer face aos custos estimados para 2022 na manutenção dos preços dos combustíveis, energia e alimentos da cesta básica, tendo em conta a escalada inflacionista das últimas semanas.


“Nós temos particularmente os impactos da crise energética, do aumento dos preços alimentares, da crise inflacionista, que afetam no concreto a vida de um país que está a mais de 6.000 quilómetros de distância da Ucrânia, mas sente os efeitos colaterais desta guerra e direta. Isto é muito real e muito concreto”, afirmou Ulisses Correia e Silva, após esta reunião do Governo com o corpo diplomático acreditado em Cabo Verde.


O primeiro-ministro explicou que o objetivo deste encontro foi “partilhar” a perspetiva do Governo de Cabo Verde e “solicitar intervenções adicionais” aos parceiros internacionais do arquipélago, face ao “momento extraordinário”, particularmente “ao nível de ajuda alimentar e de ajuda orçamental”.


O chefe do Governo afirmou que os 40 milhões de euros que Cabo Verde necessita para a estabilização de preços é uma verba “mobilizável” através dos parceiros internacionais, na forma de ajuda orçamental para que o país possa “ter condições de financiamento das medidas de estabilização”.




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