Fundado em 2010 pela comentadora política Erica Payne, o grupo Milionários Patrióticos é composto por indivíduos com contas bancárias, como o nome indica, milionárias. O que os distingue de outros ricos é que estes acreditam que todos os abastados devem pagar mais impostos.

Na reunião desta semana, alguns disseram que a mudança está finalmente a chegar, referindo a proposta recente do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, de aprovar novos impostos para agregados que possuam mais de 100 milhões de dólares.

Os autointitulados patrióticos viram também um sinal positivo no facto de a comunidade internacional estar a aplicar pesadas sanções a oligarcas, nomeadamente os envolvidos direta ou indiretamente na invasão russa da Ucrânia, iniciada a 24 de fevereiro.

Outra luz ao fundo do túnel para estes milionários é a criação de sindicatos por parte de trabalhadores da Amazon e da Starbucks, depois de anos de luta enquanto criavam fortunas para os donos dessas gigantes do comércio e da restauração (Jeff Bezos e Howard Schultz, respetivamente).

“Quando começámos [este grupo], ninguém falava sobre os impostos aos ricos”, disse Morris Pearl, diretor dos Milionários Patrióticos, durante a reunião em Washington. O líder do grupo foi diretor da BlackRock, a maior empresa de gestão de ativos a nível mundial.

“Vimos uma enorme mudança” desde o fim do mandato de Donald Trump, louvou Morris Pearl. “Temos um presidente que fala dos impostos aos ricos, as pessoas estão a falar dos impostos sobre a riqueza – essas ideias não eram sequer marginais há dez anos. Não digo que vá acontecer já, nem que as ideias se tornem leis, mas estão a acontecer conversas aos mais altos níveis”, acrescentou.

“Se nada for feito, este será um enorme desastre”


A maioria dos oradores da reunião transmitiu, porém, um sabor agridoce em relação ao porquê de este tema estar agora a ser tão debatido. Culparam, essencialmente, os mais ricos por conseguirem contornar os sistemas políticos por todo o mundo.



Mas também a redução de salários e as desigualdades no acesso à habitação estiveram em cima da mesa neste encontro, que teve como nome “Oligarcas vs. Todos Nós: A Luta pelo Poder e Dinheiro”.




Há quem esteja ainda mais pessimista e acredite que a situação apenas irá piorar. É o caso do ex-empresário Gary Stevenson, agora economista para a desigualdade, segundo o qual o período de pandemia serviu para que os milionários fizessem fortunas através de ações em alta, do mercado imobiliário e de outros ativos, assim como de apoios dos Governos.

“Se nada for feito, este será um enorme desastre. Por piores que achem que as coisas estão agora, garanto-vos: vão ficar muito, muito piores”, alertou na reunião.

Para Stevenson, é evidente o que deve ser feito. “Há uma e apenas uma coisa que podemos fazer. Temos de recuperar esse dinheiro”, defendeu.

Herdeira da Disney fala em “campanha orquestrada” pelos mais ricos

Outro membro ativo dos Milionários Patrióticos é Abigail Disney, neta de Roy O. Disney, cofundador da empresa de entretenimento Walt Disney.

Também para a herdeira da fortuna Disney os ricos estão no centro do problema. A própria Abigail diz ver a sua família como o símbolo do que aconteceu no resto dos Estados Unidos: enriqueceu e deixou de conseguir ver as consequências das desigualdades.

“As únicas pessoas que os milionários vão ouvir são outros milionários e multimilionários”, defendeu no encontro em Washington. “E, se eles não ouvirem, os seus filhos e mulheres poderão ouvir”.





Abigail Disney diz ser constantemente criticada por defender mais impostos para os ricos, mesmo por quem não é rico: “as pessoas estão convencidas de que, neste país, todos podem estar prestes a ser milionários”, o que considera “uma campanha orquestrada para proteger a riqueza de um por cento da população”.



Esta semana, no Twitter, escreveu que “durante as últimas quatro décadas observou-se uma enorme distribuição da riqueza. O único problema é que essa riqueza foi para quem já tinha fortunas”.





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