“A Ucrânia precisa de ajuda militar e, para poder ganhar, também de armas pesadas”, afirmou Lindner, sobre a invasão russa da Ucrânia, num discurso no primeiro congresso do Partido Liberal alemão (FDP, na sigla original) desde que integra o Governo da Alemanha.


Lindner, que fez esta intervenção por videoconferência a partir de Washington, onde está em quarentena por causa da covid-19, rejeitou, por outro lado, as críticas que têm sido feitas ao líder do Governo, o chanceler Olaf Scholz, do Partido Social-Democra (SPD).


“Olaf Scholz é um líder que pondera as coisas cuidadosamente e toma decisões nessa base”, afirmou.


“É uma situação séria em que temos, os democratas liberais, de sublinhar claramente que o chanceler tem a confiança do FDP e do seu grupo parlamentar no Bundestag”, acrescentou, numa referência ao parlamento alemão.


O Governo alemão é uma coligação formada por sociais-democratas, liberais e verdes.


Numa alusão à oposição conservadora, o líder dos liberais afirmou que em tempos de guerra na Europa, as manobras partidárias e as tentativas de desestabilização são inadmissíveis e sublinhou a importância de haver um Governo operacional “que tome as decisões necessárias” para o país.


Numa entrevista publicada na sexta-feira pelo semanário alemão Der Spiegel, Scholz disse ter reservas em relação ao envio de armamento pesado para a Ucrânia por considerar que é preciso evitar “uma escalada que leve a uma terceira guerra mundial” e a uma guerra nuclear.


No discurso de hoje, Lindner afirmou que a Ucrânia foi atacada pela Rússia também por Kiev ter optado por seguir os valores europeus, “das sociedades abertas da Europa e das democracias liberais, contra a sociedade fechada e autoritária” do Presidente da Rússia, Vladimir Putin.


“É por isso que a Ucrânia deve ganhar esta guerra e a Ucrânia ganhará esta guerra porque qualquer outra coisa seria um convite a que se repetisse”, afirmou.


O Governo alemão anunciou em 15 de abril que vai desbloquear mais de mil milhões de euros de ajuda militar à Ucrânia, mas sem precisar em que consistirá, depois de Kiev se queixar de não receber armamento pesado de Berlim.


Berlim procurou, desta forma, responder às crescentes críticas das autoridades ucranianas, mas também de alguns dos seus parceiros da União Europeia (UE), como a Polónia e os Estados bálticos, sobre a sua aparente falta de apoio em matéria de armamento à Ucrânia e até mesmo a sua complacência em relação a Moscovo.


O Presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, foi alvo de uma afronta diplomática na semana passada, ao ver a proposta de visita a Kiev que tinha apresentado recusada pelas autoridades ucranianas.


Kiev imputa ao chefe de Estado e antigo ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, que atualmente tem um papel sobretudo de representação simbólica, uma política pró-russa durante anos.


A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de dois mil civis, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.


A guerra causou já a fuga de mais de 12 milhões de pessoas, mais de 5 milhões das quais para fora do país, de acordo com a ONU – a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).



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