Aliança do Governo timorense está forte e para durar 10 ou 20 anos



“Não se vai romper. Garanto-lhe. Temos condições para ganhar nas parlamentares de 2023. O que querem mais, o que andam à procura, se já têm uma coligação no Governo?”, disse Taur Matan Ruak em entrevista à Lusa.


Foi a primeira entrevista concedida por Taur Matan Ruak desde que tomou posse, em 2018, como primeiro-ministro, com inúmeros pedidos ao longo dos anos a serem ignorados.


“Desculpe lá. Sabe, eu evito sempre, porque a gente às vezes fala, mas depois fala de mais”, explicou.


No mesmo dia há mais outra entrevista, com a RTTL e uma conferência de imprensa, “sem limite de tempo” ou de perguntas, ainda que oficialmente convocada para Taur Matan Ruak explicar porque vai tirar férias para estar no palco da campanha do atual chefe de Estado, Francisco Guterres Lú-Olo.


Uma conversa alargada, em jeito de balanço, ainda a cerca de um ano do fim de mandato que pode, porém, ser cortado se José Ramos-Horta vencer as presidenciais e avançar, como tem prometido, com a dissolução do parlamento.


“Eu não julgo as pessoas pelo que dizem, julgo pelo que fazem. Fico sempre à espera. Isto pode ser um `bluff`. Como é que exatamente vai ser conseguido?”, questionou.


Uma das maiores incógnitas na aliança é o Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO) — que controla cinco lugares no parlamento — e que nos últimos anos tem saltitado de aliança em aliança.


Taur Matan Ruak, que é presidente do PLP — a Fretilin também está no Governo – defende o partido de José Naimori e recorda que tiveram com Xanana Gusmão numa nova coligação, depois do chumbo do Orçamento Geral do Estado (OGE) em 2020, mas acabaram por voltar.


“Acho que não vão sair. Admiro o senhor Naimori, mais do que admiro os do PD. No PD são todos intelectuais, mas a sabedoria e a inteligência são coisas completamente diferentes. Admiro a perspicácia [de Naimori], saber escolher o momento e tomar decisões”, disse.


Questionado então porque não está Naimori no Governo — comanda todo o partido sem integrar qualquer estrutura do Estado — Matan Ruak diz que o KHUNTO tem “uma organização diferente.


“Pelo facto de estar fora é que o admiro mais”, afirmou.


Sobre o facto do KHUNTO, no Governo, ter andado a saltar de aliança em aliança, Taur Matan Ruak atribui isso ao facto de ser um “partido novo, que está inseguro” e a quem “os grandes não inspiram confiança”.


“Se nem a mim inspiram quanto mais ao KHUNTO. Mas eles estão bem, e é preciso mostrar que estão seguros”, referiu.


No que toca à aliança com a Fretilin, Taur Matan Ruak explicou que “apesar de algumas diferenças”, gosta de Mari Alkati, “uma pessoa que sabe comunicar e que respeita”, motivo pelo qual garantiu estar “a gostar” da plataforma atual.


“E o facto de ser eu a declarar apoiar a candidatura presidencial do Lú-OLo e assegurar a estabilidade governativa, além de 2023, é uma aposta importante”, sublinhou.


Mostra-se igualmente convicto da força do seu partido, o PLP, afirmando que desde que se juntou ao partido, assim que saiu da Presidência em 2017, explicou que teria uma forma “diferente de comandar” os quadros.


“Eu já previa que podia haver gente que não ia gostar. Eu não distribuo projetos, eu não facilito ninguém. Para mim as regras são para cumprir e mais nada. Não tenho empresas atrás de mim, não tenho nada, não me interessa nada disso”, frisou.


“Tenho a minha vida organizada, para que vou perder o meu tempo com isso? E acho que depois de cinco anos estou feliz”, acrescentou.


Para Ruak, é “gratificante” trabalhar com jovens menos experientes, o PLP tem condições para atrair mais apoios e considera completamente errada a perceção dos que em Timor-Leste acham que a sua carreira política está a terminar.


“Estão enganados. Estão muito enganados. A minha mãe morreu com 107 anos, um sobrinho com 117, outro com 118. Sabe quanto eu vou viver: 120. Acredita? 120. Todo aquele que tem causas nunca envelhece”, vincou.


“A minha luta ainda é longa. Este lugar que ocupo hoje é acidental. Tenho 65 anos. O senhor Xanana tem 76, 10 anos mais que eu. Quando ele descansar aí estarei eu. E depois quero ver os outros que fogem de um lado para o outro. Vou endireitá-los todos, antes de entregar o país aos jovens”, assegurou.




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