COP15. Guterres diz que humanidade se tornou uma “arma de extinção maciça”



Guterres falava numa conferência sobre biodiversidade em Montreal, no Canadá, na véspera da 15.ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas para a Diversidade Biológica (COP15).

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“Com o nosso apetite sem limites por um crescimento económico descontrolado e desigual, a humanidade tornou-se uma arma de extinção maciça”, afirmou durante a abertura do evento, que vê como uma “oportunidade para parar esta orgia de destruição”.


Desde que assumiu o cargo em 2017, o antigo primeiro-ministro português fez das alterações climáticas a sua prioridade.


“Hoje não estamos em harmonia com a natureza, pelo contrário, estamos a tocar uma melodia muito diferente”, uma “cacofonia do caos tocada com instrumentos de destruição”, resumiu Guterres.


O discurso do secretário-geral da ONU chegou a ser interrompido durante alguns minutos por uma dezena de representantes de um povo indígena.


Segurando uma faixa onde se podia ler “Genocídio indígena = Ecocídio”, os indígenas foram calmamente para fora, recebendo aplausos de apoio.


“(…) Estamos a matar-nos por prospeção”, acrescentou, com repercussões em empregos, fome, doenças e mortes.


As perdas económicas devido à degradação dos ecossistemas, por seu lado, são estimas em três mil milhões de dólares (cerca de 2,8 mil milhões de euros) por ano a partir de 2030.


Os desafios da COP15 são consideráveis.


Um milhão de espécies estão ameaçadas de extinção, um terço do planeta está seriamente degradado e os solos férteis estão a desaparecer, enquanto a poluição e as alterações climáticas aceleram a degradação dos oceanos.


Produtos químicos, plásticos e poluição do ar estão a sufocar a terra, a água e o ar, enquanto o aquecimento global decorrente da queima de combustíveis fósseis está a provocar o caos climático — de ondas de calor e incêndios florestais a secas e inundações.


Quase 200 países vão estar reunidos entre 07 e 19 de dezembro em Montreal para tentar selar um pacto de 10 anos pela natureza e assim evitar uma extinção massiva, mas o resultado das negociações, com cerca de 20 pontos destinados a salvaguardar os ecossistemas até 2030, permanece incerto.



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