A ADI realiza este sábado um congresso eletivo, no qual Patrice Trovoada, atual presidente do partido, é candidato único à sua reeleição, quando faltam menos de seis meses para as eleições legislativas, autárquicas e regional em São Tomé e Príncipe, marcadas para 25 de setembro.


Em mensagens transmitidas através das redes sociais do partido, atualmente na oposição, o antigo primeiro-ministro são-tomense (2008, 2010-2012 e 2014-2018) tem reclamado uma “maioria absoluta reforçada” nas próximas legislativas, com um mínimo de 33 dos 55 deputados na Assembleia Nacional que conquistou em 2014.


“Eu só aceito um cargo se tiver os meios para minimamente realizar o trabalho. Preciso de um sinal claro também das populações porque estamos a falar de termos um Governo reformista e um Governo reformista precisa de facto de uma base de sustentação larga”, sublinhou, em entrevista à agência Lusa em Lisboa.


O atual presidente da ADI acredita que é possível alcançar os 33 eleitos.


“O descontentamento, a indignação, a revolta social em 2014 não atingiam os níveis que temos hoje. É preciso apresentar também uma proposta que seja até melhor e mais convincente que aquela que nós apresentámos em 2014 porque estivemos quatro anos no poder e também sofremos desgaste, prova disso é que nós não conseguimos atingir a maioria absoluta em 2018”, comentou.


Questionado sobre se, caso não consiga o número mínimo de deputados que deseja, admite fazer coligações ou acordos parlamentares, Patrice Trovoada rejeitou esse cenário.


“A vagabundagem política em São Tomé e Príncipe não vai desaparecer. Já tivemos casos em que um ou dois deputados conseguiram chantagear todo o grupo parlamentar. Então eu preciso de uma margem confortável”, disse.


Nas eleições legislativas de outubro de 2018, a ADI, então no poder, foi o partido mais votado, com 25 deputados, mas não conseguiu formar Governo, após o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe — Partido Social-Democrata (MLSTP) e a coligação PCD-UDD-MDFM terem feito um acordo parlamentar, alcançando 28 eleitos, o que permitiu à então chamada `nova maioria` constituir um executivo, liderado por Jorge Bom Jesus.


Desde então, Patrice Trovoada tem estado ausente de São Tomé e Príncipe e não pretende regressar para já. O antigo primeiro-ministro alegava não ter garantias de segurança no país, depois de dois seus antigos ministros — um dos quais o atual Presidente, Carlos Vila Nova — terem sido detidos pela Polícia Judiciária, em processos que acabaram arquivados.


“Não me parece ser este o momento de estar em São Tomé e Príncipe. Eu tenho uma vida para além da política, preciso de trabalhar e sustentar a família. Para regressar a São Tomé e Príncipe tenho de arrumar a minha vida”, justificou.


Mas, ressalvou: “É evidente que com este imperativo de ganhar com maioria absoluta eu tenho de molhar a camisa também durante a campanha”.


Patrice Trovoada, que tinha anunciado a sua intenção de se afastar da política ativa até 2022, justificou agora que tem recebido “muita pressão” dos militantes e dirigentes do partido para que se mantenha à frente da ADI.


“Devido à situação de degradação económica, financeira, comportamental na sociedade são-tomense, os militantes acham que a pessoa que ainda pode pôr uma mão e segurar o partido e conduzir o partido para as novas batalhas, sou eu”, disse, considerando que seria “muito difícil, incorreto e não solidário virar as costas nesta altura”.




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