Boris Johnson resiste a pressões dos ministros e recusa demitir-se


Uma delegação de ministros dirigiu-se esta quarta-feira ao número 10 de Downing Street para tentar persuadir Boris Johnson a demitir-se. No entanto, num encontro durante a noite, Boris Johnson rejeitou os apelos dos seus ministros.

De acordo com uma fonte do executivo citada pela Sky News, Boris Johnson disse que “não tenciona demitir-se” e quer ficar no cargo para se concentrar nas “questões extremamente importantes”.

Durante a tarde, na Comissão de Ligação, Johnson já tinha reiterado a sua determinação em permanecer no cargo, argumentando que não seria responsável “virar as costas” ao país nesta altura.



“Eu não vou renunciar e a última coisa que este país precisa, francamente, é de uma eleição”, disse o primeiro-ministro do Reino Unido. “O país está a atravessar tempos difíceis”, admitiu, referindo “as pressões a que as pessoas estão sujeitas e a necessidade de o governo se concentrar nas suas prioridades”.

Mencionando ainda “a maior guerra na Europa nos últimos 80 anos”, Johnson argumentou que “não seria de maneira nenhuma responsável virar as costas”.

Segundo vários meios de comunicação, entre os ministros que se reuniram com o primeiro-ministro do Reino Unido esta noite estão Anne-Marie Trevelyan, a secretária de comércio internacional, Priti Patel, a secretária de Estado para Assuntos Internos e o ministro dos Transportes, Grant Shapps.

Para além destes, outros ministros já se mostraram a favor da demissão de Johnson, incluindo o recém-eleito ministro das Finanças, Nadhim Zahawi, o ministro da Irlanda do Norte, Brandon Lewis, e do País de Gales, Simon Hart.



Michael Gove, ministro da Habitação, também pediu a renúncia do primeiro-ministro e Boris Johnson anunciou esta quarta-feira a sua demissão.

Apesar de continuar a resistir, Johnson está cada vez mais cercado e fragilizado, numa altura em que o seu executivo está a ser alvo de demissões em cadeia. Depois da demissão dos ministros das Finanças e Saúde na terça-feira, cinco secretários de Estado anunciaram esta tarde numa carta conjunta que iam deixar o governo do Partido Conservador, elevando para pelo menos 32 o número de membros do governo britânico que se demitiram nas últimas horas.

A crise foi desencadeada porque Johnson admitiu, após dias a negá-lo, que sabia de alegações de má conduta sexual contra o deputado Chris Pincher antes de o promover a vice-presidente da bancada parlamentar em fevereiro.

Quais são os cenários futuros possíveis?

Apesar de Johnson ter vindo a reiterar que não se irá demitir, tal cenário ainda não está totalmente descartado se um grupo maior de ministros vir a resignar.



Se tal acontecer, o Partido Conservador realizará eleições internas para nomear um novo líder, que então será eleito primeiro-ministro.

Por enquanto, Boris Johnson tem o controlo do seu destino à frente do executivo do Reino Unido. No entanto, tal pode vir a mudar caso as regras para a apresentação de uma moção de censura sejam alteradas.

De acordo com as normas atuais, se o primeiro-ministro do Reino Unido sobreviver a uma moção de censura, fica imune a um novo voto de confiança durante 12 meses. Uma vez que Johnson venceu uma moção de desconfiança no mês passado, tal significa que estará livre de ser destituído até junho de 2023.

O Comité Executivo de 1992, que define as regras das moções de censura, decidiu esta quarta-feira não alterar, de momento, as normas, mas agendou para a próxima segunda-feira as eleições para o executivo do comité, para o qual existem 18 vagas.


Se um número suficientemente grande de deputados anti-Johnson for eleito para o executivo do comité, é provável que as regras para a abertura de uma moção de censura sejam alteradas e que Johnson seja, então, de novo alvo de um voto de confiança num futuro próximo.



c/agências



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