Ordem dos Médicos Cabo-Verdianos quer clínicos nacionais a tomarem conta do sistema



Em entrevista à agência Lusa, em Lisboa, o bastonário da Ordem dos Médicos Cabo-Verdianos (OMC), Danielson Veiga, reconheceu as carências e os desafios do setor num país que tem 550 mil habitantes dispersos em nove das suas 10 ilhas, para os quais existem dois hospitais centrais e quatro regionais.

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Dos 650 médicos inscritos na OMC, só 400 estão no ativo e o país dispõe apenas de quatro cirurgiões, um deles o bastonário.


Acresce a este cenário que duas das ilhas — Sal e Boavista — têm uma vocação 100% turística, principal motor económico do país.


“O turismo tem sido o motor do desenvolvimento de Cabo Verde” e, “sem um sistema de saúde coeso, de qualidade, o processo de turismo pode ficar comprometido”, alertou.


Para Danielson Veiga, além do número de médicos, que é “muito deficitário”, os serviços médicos em Cabo Verde são “praticamente garantidos por clínicos gerais”, uma prática que “não satisfaz” a ordem.


O médico, que dirige o serviço de cirurgia do Hospital Agostinho Neto, na capital Praia, ilha de Santiago, defende a capacitação dos médicos cabo-verdianos para que possam “tomar conta do sistema”, onde atualmente 30% dos clínicos são estrangeiros.


Reconhece, contudo, que as “dificuldades financeiras” que o país atravessa — com mais de 13% da população a viver com menos de um dólar por dia, segundo as Nações Unidas — não garantem uma atratividade aos profissionais de saúde para que estes permaneçam no país.


“É do nosso interesse ter um SNS robusto, com médicos capacitados e tentar reduzir, o mais possível, o número de estrangeiros que trabalham para o sistema (…) e entregar a saúde na mão dos cabo-verdianos”, declarou.


O bastonário indicou que já existem médicos a trabalhar no sistema privado de saúde em Cabo Verde, que é ainda “deficiente” e que “não cobre todas as atividades do ato médico”.


Para tal também contribui a falta de um seguro de saúde competitivo e com capacidade de dinamizar o sistema privado, disse.


“Se esse seguro de saúde tiver impacto, ou melhorar, penso que vai haver uma boa dinamização do sistema privado” de saúde, disse.


Até lá, os cabo-verdianos são obrigados a fazer um seguro público de saúde e a possibilidade de fazerem outro seguro de saúde, para o setor privado, implica uma disponibilidade financeira que não existe na maioria da população.


“Queremos que o governo crie uma lei, em que o utente tenha direito de escolha” entre fazer um seguro para o sistema público ou privado, defendeu.


Danielson Veiga esteve em Lisboa, a convite do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, para formação sobre cirurgia oncológica.


O bastonário aproveitou a presença em Portugal para realizar vários contactos que visaram reforçar as relações entre os dois países, como o que manteve com o seu homólogo português, Miguel Guimarães.



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