Remoção de resíduos em S. Pedro da Cova em Gondomar concluída quarta-feira



“É um momento histórico para São Pedro da Cova, para a sua população em particular, mas também para Gondomar e para toda a região Norte”, refere o presidente da CCDR-Norte, António Cunha, citado num comunicado enviado à agência Lusa, acrescentando que na quarta-feira se vira, “em definitivo, uma página de má memória ambiental do país e desata-se um nó da garganta da população local”.


Para António Cunha, “há agora o desafio de devolver o lugar e a sua memória à população”.


Na mesma nota de imprensa, também o presidente da Câmara de Gondomar, Marco Martins, afirma que “chega ao fim, ao cabo de mais de 20 anos, o mal causado às populações de São Pedro da Cova e de Gondomar”, no distrito do Porto.


“Com a remoção destes resíduos perigosos, fecha-se uma importante fase da recuperação daquele lugar para que outra se possa iniciar”, diz o autarca.


De acordo com a CCDR-Norte, que lidera a operação de remoção, na quarta-feira sairá o último camião carregado com os resíduos perigosos.


Esse material será encaminhado, por via ferroviária, para “aterro licenciado, com condições para o seu tratamento e depósito”, acrescenta a comissão, salvaguardando que o destino dos resíduos é um “centro integrado de recuperação, valorização e eliminação de resíduos perigosos” (CIRVER).


Em causa está a retirada total dos resíduos perigosos do local, que foi prolongada devido à existência de mais 17.000 toneladas de resíduos face às estimativas anteriores.


Estas toneladas que não constavam do plano de remoção anterior foram localizadas “em depressões do terreno com área e profundidade apreciáveis ou relativas a vários maciços ferrosos (também contaminados), com densidade cerca de cinco vezes superior à densidade média da massa dos resíduos”, descreveu, em fevereiro, a CCDR-Norte.


Já na nota de imprensa de hoje, esta entidade recorda que “a quantidade de resíduos associada à extensão e à orografia do terreno”, bem como “a deteção de algum material explosivo durante a operação” e “os procedimentos inerentes à contração pública dos trabalhos tornaram o projeto especialmente exigente e complexo”.


O investimento ascendeu a quase 30 milhões de euros, tendo beneficiado de financiamento, em momentos e fases distintas, dos Fundos Europeus e do Fundo Ambiental.


Para levar a cabo a extensão da empreitada, o Governo, através de uma resolução do Conselho de Ministros publicada a 27 de janeiro no Diário da República, autorizou a dotação de mais dois milhões de euros.


Ao todo, a operação, iniciada em 2014, procedeu à remoção de mais de 292 mil toneladas de resíduos perigosos, provenientes da Siderurgia Nacional e depositados nas escombreiras das antigas minas de São Pedro da Cova, em Gondomar, entre 2001 e 2002.


O estudo sobre a perigosidade dos resíduos, que inicialmente foram qualificados como “inertes”, foi uma reivindicação da população da freguesia que ao longo de mais de duas décadas multiplicou as ações de luta.


Já a decisão de levar a cabo esse estudo coube à CCDR-Norte, à altura presidida por Carlos Lage, no ano de 2010.


Encomendada ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), a primeira avaliação apontava para 88 mil toneladas de resíduos, os quais foram classificados como “muito perigosos”.


Hoje a CCDR-Norte recorda que o LNEC “foi responsável pelos trabalhos posteriores de medição e caracterização dos resíduos retirados e pela validação técnica da inexistência de contaminação dos solos subjacentes”.


A 26 de novembro do ano passado, em visita ao terreno, o então ministro do Ambiente, Matos Fernandes, garantiu que a operação de remoção dos resíduos perigosos só terminará assim que tudo fosse retirado.




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