No momento em que uma equipa de quatro pessoas da ONG entrava no hospital oncológico da cidade, na segunda-feira à tarde, “várias explosões ocorreram perto do nosso pessoal no lapso de dez minutos”, relatou Michel-Olivier Lacharité, chefe de missão da MSF na Ucrânia, num comunicado datado de Paris e Odessa.


“Ao abandonar a zona, a equipa da MSF viu feridos e pelo menos um cadáver”, acrescentou, precisando que os elementos da ONG “não ficaram feridos”.


O hospital pediátrico regional, situado a cerca de 300 metros, foi igualmente atingido pelo bombardeamento da zona, segundo os membros da equipa no local.


“Após as explosões, eles viram muitos buracos pequenos no solo, dispersos por uma grande área. Nenhuma cratera de grandes dimensões era visível naquela área. Tais elementos podem sugerir a utilização de bombas de fragmentação”, indicou a MSF.


Segundo Lacharité, no domingo, “o hospital n.º 5, situado no sul da cidade, foi também atingido”.


“A MSF está agora a reavaliar a localização das suas atividades em Mykolaiv”, conclui o comunicado.


Segundo a procuradora-geral da Ucrânia, Iryna Venediktova, os ataques russos de segunda-feira em Mykolaiv fizeram pelo menos 12 vítimas mortais entre os habitantes.


A procuradora-geral já tinha avançado com a abertura de uma investigação em cooperação com o Ministério Público Regional sobre a prática de possíveis crimes de guerra.


O presidente da câmara, Oleksandre Senkevitch, tinha anunciado na segunda-feira à noite que dez civis tinham sido mortos e pelo menos 46 feridos em bombardeamentos do exército russo na cidade durante o dia.


No domingo, oito pessoas tinham sido mortas e 34 feridas em ataques das forças russas a Mykolaiv e Otchakiv, uma cidade localizada 60 quilómetros a sudoeste, segundo a procuradoria ucraniana.


“Cidade-tampão” na estrada para Odessa, o maior porto da Ucrânia, Mykolaiv, que tinha 475.000 habitantes antes da guerra, foi atacada durante muito tempo quando o exército russo em vão tentou tomá-la. O cerco russo parecera afrouxar nos últimos dias.


A ofensiva militar lançada na madrugada de 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, mais de 4,2 milhões das quais para os países vizinhos, de acordo com os mais recentes dados da ONU — a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).


Segundo as Nações Unidas, cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.


A invasão russa — justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.


A guerra na Ucrânia, que entrou hoje no 41.º dia, causou um número ainda por determinar de mortos civis e militares e, embora admitindo que “os números reais são consideravelmente mais elevados”, a organização confirmou hoje pelo menos 1.480 mortos, incluindo 165 crianças, e 2.195 feridos entre a população civil.




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